Para usar IA na engenharia com qualidade, o segredo não está em pedir mais, e sim em revisar melhor. Em vez de pedir um documento inteiro num único prompt, produza em blocos que você consegue conferir um a um, defina já no prompt o que quer, como quer receber, o que não quer e como vai revisar, e, se ainda não tiver clareza do resultado, peça à própria IA as perguntas que você precisa responder antes de ela começar.

Não é mistério para ninguém que a inteligência artificial já faz parte do dia a dia profissional em qualquer área, especialmente na engenharia. Só que, nesse uso intensivo, tenho visto muita gente enfrentar os mesmos problemas, de forma repetitiva — e eles têm tratamento. Seguem as dicas práticas que eu aplico no meu trabalho.

1. Se a IA acelera o operacional, concentre-se no estratégico

Se a IA vai acelerar a sua produção mecânica, o operacional do serviço, você precisa se concentrar no estratégico. Isso é fácil de entender: a parte humana da coisa — analítica, interpretativa — e os comandos corretos continuam sendo sua responsabilidade.

Mas não é só isso. Você também precisa se concentrar em como vai revisar o que ela te entrega. Se você pede a qualquer inteligência artificial para desenvolver qualquer tarefa, precisa pensar, já no prompt, em como vai receber esse serviço.

2. Não peça tudo num tiro só: trabalhe em blocos

Digamos que você quer escrever um ofício, um contrato, um laudo ou um caderno de encargos. Claro que você pode pedir isso one shot — num único prompt, para a IA entregar tudo pronto —, especialmente se você for muito bom nisso. Mas eu não recomendo. Eu, Milton, nunca faço assim.

Eu sempre trabalho em blocos: blocos que vão sendo construídos, um somando ao outro, de forma que eu consiga revisar cada um individualmente. Se o documento tem dez capítulos, o ideal é fazer dez blocos de texto, um de cada vez. É uma quantidade de texto razoável, que a IA produz com velocidade e que eu consigo revisar, conferir e criticar com profundidade e tempo.

O problema de pedir os dez capítulos de uma vez

  • Erros estruturais que se repetem ao longo de todo o documento.
  • Premissas adotadas por conta própria, que detonam a consistência do documento ao longo da produção.
  • Conferência muito mais difícil: você vai ter que ler 20, 30 páginas numa lapada só.
  • Mais demora: mais tempo para ler, para colocar as suas respostas e para refazer o trabalho.
  • Mais custo: mudanças expressivas no documento consomem mais tokens — sai mais caro e toma mais tempo.

O ganho de fazer bloco por bloco

Fazendo bloco por bloco, você confere com facilidade e, já no primeiro ou segundo bloco, ajusta as premissas e as suas expectativas para o resultado final. Você vai dando comandos melhores com relação ao todo, de forma que, a partir do quarto ou quinto bloco, a IA já está azeitada e começa a te entregar do jeito que você quer.

💡 DicaTrabalhando em blocos você fica mais rápido, mais produtivo e gasta menos tokens. A cada passo você confere o resultado, e o trabalho não desvia muito da rota de uma vez só — o que, lá na frente, daria muito mais trabalho para consertar.

3. As 4 perguntas que precisam estar no seu prompt

Antes de começar qualquer tarefa ou produção com inteligência artificial, tenha em mente quatro partes importantes:

  1. O que eu quero fazer.
  2. Como eu quero que seja entregue.
  3. O que eu não quero que seja entregue.
  4. Como eu vou revisar o resultado.

Vale para as produções do dia a dia em que a IA pode nos auxiliar: um orçamento, um levantamento de quantitativos, um cronograma rápido. Pense nessas quatro coisas, coloque isso no prompt e comece a trabalhar de uma forma que permita revisar passo a passo.

📊 Exemplo práticoNum levantamento de quantitativos, isso significa dizer à IA qual é o escopo, em que formato você quer receber os números, o que ela não deve fazer por conta própria e de que forma você vai conferir cada parte antes de ela seguir para a próxima. Se o resultado vai alimentar uma ferramenta de orçamento como o Quantify, já peça no formato que facilita a sua conferência.

Revisar por etapas é, aliás, o mesmo princípio que evita os erros de orçamento que reprovam uma licitação: quantitativo, composição e lastro técnico conferidos antes de seguir adiante.

4. A cereja do bolo: peça à IA as 10 perguntas mais importantes

Essa é uma dica mais antiga — eu já trouxe no YouTube —, mas vejo que muita gente ainda ignora o poder dela.

Se você ainda não tem muita clareza do que precisa ser feito, não chegue na sua IA mandando fazer. Inicie um diálogo: abra um áudio, explique o que você quer fazer e explique que ainda não sabe exatamente onde quer chegar. Então peça:

⚠ Prompt para copiar"Quais são as dez perguntas mais importantes que eu tenho que te responder para você conseguir delimitar exatamente o que vai me entregar?"

Muitas vezes a IA vai fazer perguntas que nem estavam na sua cabeça naquele momento, mas que, quando você lê, fazem todo o sentido. Isso ajuda a ferramenta a delimitar o escopo de atuação dela e faz com que o resultado entregue seja muito mais alinhado com o que você quer — ela capta essas informações antes mesmo do prompt de execução da tarefa.

Perguntas frequentes

Posso pedir um documento inteiro para a IA num único prompt?

Pode, especialmente se você tiver muita prática nisso, mas não é recomendado. Erros estruturais e premissas erradas se repetem ao longo do documento, a revisão fica mais difícil e as correções consomem mais tempo e mais tokens.

O que colocar no prompt antes de começar uma tarefa com IA?

Quatro coisas: o que você quer, como quer que seja entregue, o que não quer que seja entregue e como vai revisar o resultado.

O que fazer quando não sei exatamente o que pedir à IA?

Inicie um diálogo, explique o que quer fazer e que ainda não sabe onde quer chegar, e peça à IA as dez perguntas mais importantes que você precisa responder para ela delimitar exatamente o que vai entregar.