A maioria dos orçamentos de licitação que são impugnados ou geram problema depois não falha por um erro exótico — falha por quantitativo mal levantado, composição de insumo simplificada demais ou falta de lastro com o mercado. A Lei nº 14.133/2021 exige que o valor estimado de uma contratação seja compatível com os valores praticados pelo mercado, e é justamente nesses pontos básicos que a maioria dos orçamentos tropeça.
Erros de quantitativo e sobreposição de itens
Surgem quando o levantamento de quantidades não está alinhado com o projeto executivo e o memorial descritivo. Um serviço lançado duas vezes em etapas diferentes da EAP, ou uma etapa do projeto simplesmente esquecida, distorce o valor total sem que ninguém perceba até a obra já estar em execução.
Composição de insumos simplificada demais
Um dos erros mais recorrentes é lançar o custo unitário de um serviço direto na planilha, sem detalhar o consumo de materiais, horas de mão de obra, encargos e equipamentos que de fato compõem aquele preço — especialmente quando o orçamento é montado a partir de referências genéricas em vez da composição analítica completa. Isso dificulta qualquer auditoria posterior e é um dos primeiros pontos que um órgão de controle verifica.
Falta de lastro técnico com o mercado
A Lei nº 14.133/2021 prevê parâmetros específicos para obras e serviços de engenharia — SINAPI, SICRO, contratações similares, bases oficiais — na ordem de precedência definida pelo art. 23. Orçar exclusivamente com base em cotação de fornecedor potencial, sem considerar contratações semelhantes já realizadas pela Administração, é apontado pelo TCU como erro grave na elaboração do orçamento estimativo.
Orçamento subestimado gera aditivo, não economia
Um orçamento incompleto ou por baixo do custo real não é uma vantagem competitiva — é um problema que aparece mais tarde como pedido de reequilíbrio econômico-financeiro, aditivo contratual ou obra parada no meio do caminho por falta de previsão orçamentária.
Como revisar antes de submeter
- Confira a EAP contra o projeto executivo e o memorial descritivo, item a item, procurando duplicidade e etapas ausentes.
- Use a curva ABC para priorizar a revisão detalhada nos itens de maior peso no custo total.
- Nunca lance um preço "de mercado" direto na planilha sem registrar a composição de insumos por trás dele.
- Documente a fonte de cada preço (SINAPI, SICRO, contratação similar) — é isso que sustenta o orçamento diante de qualquer questionamento.
Entender os termos usados nesse processo — composição, insumo representativo, BDI — ajuda a identificar rapidamente onde um orçamento está fragilizado; veja a lista completa no glossário de termos do SINAPI.
Onde aprofundar isso na prática
Revisar quantitativo, composição e lastro técnico com a segurança que uma licitação exige é exatamente o que o curso Orçamento de Obras Públicas ensina — do levantamento à planilha final, com a responsabilidade técnica e legal que a Lei 14.133 cobra.
Conclusão
Nenhum desses erros exige um cenário raro para acontecer — todos nascem de pressa na revisão final. Cruzar quantitativo com projeto, detalhar composições em vez de lançar preço direto e documentar a fonte de cada valor é o que separa um orçamento defensável de um que vira problema depois da assinatura do contrato.