O fim da escala 6x1, com a jornada caindo de 44h para 40h semanais, deixa a mão de obra da construção civil 10% mais cara. O impacto no custo total da obra é esses 10% multiplicados pela fatia da mão de obra no orçamento — algo entre 3% e 5% na maioria dos casos — somado ao aumento dos custos indiretos, se o prazo esticar.
Parece pouco? Em uma obra com margem apertada, 3% a 5% pode ser exatamente o lucro do contrato. Por isso vale entender a conta direitinho antes de fechar o próximo orçamento.
Por que a mão de obra fica 10% mais cara
A lógica é simples: antes você pagava o salário por 44 horas semanais. Agora paga o mesmo salário por 40 horas.
Ou seja, cada hora trabalhada passa a custar mais. A proporção é direta:
Como o total de horas-homem (HH) necessárias para executar a obra não muda — a alvenaria continua tendo os mesmos metros quadrados, o concreto continua tendo os mesmos metros cúbicos —, o gasto com mão de obra sobe 10%.
E não para no salário: os encargos sociais incidem sobre o salário, então também sobem 10%.
Qual o impacto no custo total da obra
A mão de obra não é 100% do orçamento. Por isso o aumento no custo total da obra é proporcional à participação dela:
| Mão de obra no custo total | Aumento no custo da obra |
|---|---|
| 30% | +3% |
| 40% | +4% |
| 50% | +5% |
Quanto mais intensiva em mão de obra for a obra, maior o impacto. Saber exatamente qual é essa fatia no seu orçamento é o primeiro passo — e é aí que um orçamento bem estruturado, com insumos classificados entre material, mão de obra e equipamento (como faz o Quantify), faz diferença.
Atenção ao prazo: o custo escondido
Esse é o ponto que muita gente vai esquecer. Se a equipe continuar do mesmo tamanho, a obra leva cerca de 10% mais tempo (de novo, 44 ÷ 40).
E prazo maior significa mais custos indiretos que dependem do tempo, como:
- aluguel de equipamentos;
- canteiro de obras;
- administração local;
- vigilância;
- seguros.
Esses custos também sobem perto de 10%. Se você já viu o peso que a administração local e o canteiro de obras têm em uma planilha, sabe que esse acréscimo não é desprezível.
Alternativas para manter o prazo
Se o prazo não pode esticar, existem dois caminhos — e eles têm custos bem diferentes.
1. Aumentar a equipe em 10%
Você contrata 10% a mais de trabalhadores para compensar as horas perdidas. O custo fica em +10% sobre a mão de obra, sem acréscimo nos indiretos, porque o prazo se mantém.
2. Manter as 44h pagando 4h extras
A equipe continua trabalhando 44 horas, mas as 4 horas que passam da nova jornada viram hora extra, com adicional de 50%. A conta fica assim:
É a opção mais cara das três.
| Cenário | Mão de obra | Indiretos |
|---|---|---|
| Mesma equipe, prazo maior | +10% | ≈ +10% |
| Equipe 10% maior, mesmo prazo | +10% | sem acréscimo |
| 44h com 4h extras (+50%) | ≈ +15% | sem acréscimo |
Resumo para o seu orçamento
- A mão de obra fica 10% mais cara, encargos sociais incluídos.
- O impacto na obra é 10% × a fatia da mão de obra no orçamento.
- Se o prazo esticar, some ainda o aumento dos custos indiretos que dependem do tempo.
Perguntas frequentes
Quanto sobe o custo da mão de obra com o fim da escala 6x1?
Cerca de 10%. O trabalhador recebe o mesmo salário por 40h semanais em vez de 44h, então o custo por hora-homem sobe na proporção 44 ÷ 40 = 1,10. Como os encargos sociais incidem sobre o salário, eles também sobem 10%.
Quanto aumenta o custo total da obra com a jornada de 40h?
O aumento é de 10% multiplicado pela participação da mão de obra no custo total. Se a mão de obra representa 30% do orçamento, a obra sobe cerca de 3%; com 40%, sobe 4%; com 50%, sobe 5%. Se o prazo esticar, somam-se ainda os custos indiretos que dependem do tempo.
Como manter o prazo da obra com a redução da jornada para 40h?
Há duas alternativas: aumentar a equipe em 10%, o que mantém o custo da mão de obra em +10% sem acréscimo nos indiretos; ou manter as 44h pagando 4 horas extras com adicional de 50%, o que eleva o custo da mão de obra em cerca de 15% — a opção mais cara.