O SINAPI usa um vocabulário próprio — composição, insumo representativo, código AF, desoneração — que confunde quem está começando a orçar obras. Este glossário reúne os termos mais usados no dia a dia de quem consulta o SINAPI, com uma definição curta e direta para cada um, sem depender de decorar a metodologia inteira da Caixa.

SINAPI

Sigla de Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. É uma base de dados mantida pela Caixa Econômica Federal em parceria com o IBGE, que reúne custos de composições, insumos e mão de obra para todos os estados brasileiros, atualizada mensalmente. É a referência de preços obrigatória para obras públicas federais, segundo o Decreto nº 7.983/2013.

Composição (básica, principal e auxiliar)

Uma composição é o conjunto de insumos (materiais, mão de obra, equipamentos) necessários para executar uma unidade de um serviço. A composição principal é o serviço final do orçamento (ex.: execução de alvenaria); a auxiliar é uma etapa intermediária embutida na principal (ex.: preparo de argamassa). Detalhamos essa distinção com mais profundidade no post sobre a metodologia das composições do SINAPI.

Insumo representativo x insumo representado

O IBGE não pesquisa o preço de cada material todo mês em todas as capitais. Ele agrupa insumos semelhantes em uma família e pesquisa só o preço de um insumo representativo; os demais (representados) têm o preço calculado por um coeficiente de representatividade sobre o representativo.

Código AF

O sufixo no final do código de uma composição (ex.: AF_09/2023) indica o mês e ano em que ela foi aferida — revisada com dados reais de produtividade e consumo levantados em obras pela Caixa.

Desonerado x não desonerado

São duas versões da mesma tabela SINAPI, que diferem no cálculo dos encargos sociais sobre a mão de obra. Na versão não desonerada, os encargos incluem a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha. Na desonerada, esse item é substituído pela CPRB (Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta), o que costuma resultar em encargos menores. Desde a Lei nº 13.161/2015, o uso da desoneração é facultativo — cabe ao contratante escolher qual versão é mais vantajosa.

💡 Dica Desde a Lei nº 13.161/2015, o uso da desoneração é facultativo. Antes de fechar o orçamento, simule as duas versões (desonerada e não desonerada) e use a que resultar mais vantajosa para o caso concreto — não existe uma opção "certa" universal.

Encargos sociais (horista e mensalista)

Percentual aplicado sobre o salário-base da mão de obra para cobrir obrigações trabalhistas e previdenciárias (INSS, FGTS, férias, 13º, etc.). A maioria das funções de campo do SINAPI (pedreiro, servente, carpinteiro) é tratada como horista, com encargos proporcionalmente maiores que os de um mensalista (função administrativa, por exemplo), e o percentual varia por estado.

BDI

Sigla de Benefícios e Despesas Indiretas. É o percentual aplicado sobre o custo direto de uma obra para cobrir despesas que não estão nas composições — administração central, tributos, seguros, garantias, risco e lucro. Em obras públicas, o cálculo deve seguir a fórmula recomendada pelo TCU (Acórdão nº 2.622/2013), regulamentada pelo Decreto nº 7.983/2013.

Curva ABC

Ferramenta que classifica os itens de um orçamento em três classes (A, B e C) pelo seu peso no custo total, baseada no princípio de Pareto: uma pequena parcela dos itens costuma concentrar a maior parte do valor da obra. Serve para priorizar onde revisar composições e negociar preços com fornecedores.

EAP (Estrutura Analítica do Projeto)

Divisão hierárquica do escopo da obra em fases, etapas, sub-etapas e serviços — a espinha dorsal sobre a qual se monta a planilha orçamentária e o cronograma físico-financeiro.

CUB

Sigla de Custo Unitário Básico de construção, calculado mensalmente pelos sindicatos da indústria da construção conforme a NBR 12721. É usado sobretudo em orçamento paramétrico — a estimativa de custo por m² feita antes de haver um projeto detalhado.

Onde aprofundar isso na prática

Decorar esses termos não substitui entender por que eles existem. Se você quer ir além do glossário e dominar a teoria e a prática do SINAPI com segurança técnica — não só a nomenclatura — esse é justamente o foco do SINAPI Descomplicado.

Conclusão

Esses termos aparecem juntos o tempo todo — uma composição desonerada tem encargos sociais menores, um insumo representado depende de um representativo, o BDI se aplica sobre o custo direto já filtrado pela curva ABC. Entender cada peça isoladamente é o primeiro passo para orçar com o SINAPI sem depender de "achismo".